A tarde chora... chora mansamente.
Como um soluço
engasgado na garganta,
Uma lembrança latejando os sentidos,
Gotas frias
caem sobre si incessantemente.
A natureza ergue seus braços
fracos,
Elevando uma súplica em oração
Ao infinito cinzento e
lúgubre,
Agradecendo as lágrimas de sua salvação.
Chora... Chora triste
tarde,
No coração da humanidade a nostalgia assola,
Bate com ecos
surdos... profundos
Enquanto a água em sua face rola.
Saudade aflora com o
vigor do trovão,
Recordações...devaneios do coração,
Perdidos ao som dos
pingos... canção aos ouvidos,
Olhos marejam... almas gritam por
paixão.
Chora... chora tarde encantada,
Liberta o perfume marcante de
terra molhada,
Como um beijo do amante em regresso,
Oscula a musa em verso
decantada.
Chora...chora tarde em fascinação,
Sentindo na pele as gotas
gélidas... sedução,
Molho o corpo... lavo a vida,
No teu choro encontro
inspiração... notas de singela canção