Nublarei a
noite quando ela me escancarar a lua cheia,
apagarei uma a uma, todas as
estrelas que teimarem em tremeluzir.
Tingirei de cinza a
manhã mais luminosa do meu santuário,
emudecerei o canto do meu sabiá
canoro
e não farei mais festa para o meu
colibri.
Desfarei todas as pegadas do caminho,
onde os teus passos e os meus
estiveram perfilados.
Encherei de colcheias e
semifusas confusas
todos os fados e canções que
arrancaram lágrimas deste meu coração emocionado.
Farei em
pedacinhos, pequenas e grandes lembranças palpáveis,
sem esquecer aquele CD e o vestido
de marquinhas,
aquele que tu gostavas, mas não
chegaste a conhecer.
Destroçarei
também as recordações não palpáveis,
que um dia me deram provas
incontestes do teu amor
e dizimarei todas as angélicas hostes que
me atrelaram a ti,
esquecidas da minha
dor.
E se
porventura em sonhos minha alma desvairada te buscar e,
em prantos te encontrar andando
pela rua,
abraça-me, com aquele carinho de
antigamente
porque sonhando, nossas almas não
mentem
e a minha te dirá que ainda sou
tua.
(
No Livro Ecos da Alma)