Deixem-me em paz todos vocês que
me atormentam
 
Que fazem-me cobranças veladas
 
Que brincam com as minhas culpas
 
Que julgam-me inepta e despreparada
 
Que pegam carona nas minhas carências
 
Que tiram partido dos meus temores
 
Que superestimam o que lhes convêm
 
Que substimam o que ignoram
 
Que deitam sal em feridas expostas
 
Que enfraquecem-me com forças opostas
 
Que gotejam fel em esperanças parcas
 
Que aviltam-me a alma com profana marcas
 
Que minam as bases daquilo que prezo
 
Que erigem edifícios sobre o que desprezo
 
Que vestem máscaras horrendas que eu
não quero ver
 
Que retiram os sete véus do que é preciso esquecer
 
Que se instalam como símbolos múltiplos e insidiosos
 
Que aparecem como ratos nos meus pesadelos
 
Que insistem neste estranho jogo de dualidade
 
Que fazem parecer mentiras as minhas verdades
 
Deixem-me em paz todos vocês
 
Deixem-me em paz
 
Deixem
 
Apenas
 
PAZ
 
Texto retirado da página do livro  "Ecos da Alma"