Há uma frase de
Jesus no Evangelho que para mim é um desafio ou uma equação que não
consigo resolver:
"Sêde inocentes
como as pombas e prudentes
como as
serpentes"
No dicionário
encontramos a seguinte definição para a
palavra
prudência: virtude que leva o homem a conhecer
e praticar
o que lhe convém; tino; precaução.
Complicado...
muito complicado.
Como se pode ser
inocente como as pombas e prudente como as serpentes, se uma coisa é
o oposto da outra?
Ser inocente
significa ser de boa fé, estar desarmado,cheio de confiança no
próximo, ver somente o bem em todas as pessoas e situações.E quão
mais simples seria a vida, se pudéssemos ficar apenas com esta opção
...
Ser prudente é
complicado.
Pressupõe ficar
de sobreaviso, ficar com o pé atrás.
Para se exercer a
prudência é preciso conhecer as duas faces da moeda, o lado claro e
escuro, distinguir o bem do mal, o certo do errado, a virtude do
vício e acima de tudo, ater-se ao aspecto perverso, malicioso e
ardiloso da vida e das pessoas.
Esta criticidade,
esta capacidade de distinguir,
seria um atributo
da inteligência?
Seria algo a ser
adquirido pelas vias acadêmicas?
Seria um
componente genético que herdamos ou não de nossos pais? Seria
uma questão de grau evolutivo?
Ou seria
resultado da experiência adquirida pela vida afora, onde cansamos de
quebrar a cara, de sermos trapaceados, enganados, traídos e usados,
para enfim podermos ser prudentes?
Decididamente,
não posso colocar-me como uma boa representante desta tão necessária
virtude.
Procuro-o a
qualquer preço, e quem souber o endereço onde se possa
comprar prudência ( em pó, gotas ou comprimidos)que me passe o
endereço, porque, feliz ou infelizmente, eu equaciono melhor a
inocência das pombas ...
e não quero
esperar os 80 anos e uma sucessão de
"porradas da
vida" para poder enfim exercitar a prudência.
Terá sido tarde
demais!
(Editado na Coletânea Crônicas
Descalvadenses)